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A Palavra: a força da fraqueza! por Padre José Augusto

19 ago 2011 - 0 comentário

Há tempos Carlos Mesters escreveu um livro que ainda fala muito: Flor sem defesa. Foi a 1ª obra sobre Sagrada Escritura que li quando entrei no Seminário na década de 80. Linguagem apaixonante, o autor apresenta a Bíblia como uma obra passível de manipulação, tanto positiva quanto negativa. Serve de argumento para a vida e para a morte. Uma Flor sem defesa!


Como cuidar desse tesouro sem torná-lo ocasião de morte? Afinal, a teologia da época de Jesus, valendo-se da própria Escritura (cf. Dt 21,22), o amaldiçoou e desqualificou a Palavra Encarnada: “maldito seja o que é suspenso no madeiro”. Quem vai acreditar num maldito e esquecido por Deus? Flor sem defesa!


A Palavra de Deus é traduzida pelo coração do homem em contextos e em tempos próprios. Basta visitarmos as páginas do Antigo Testamento para percebermos a visão que se tinha de Deus: companheiro, mas também guerreiro; justo, mas vingador e ciumento. Na verdade trata-se da ocular dos autores sagrados, marcada pelas dinâmicas de sua época. Não que Deus fosse um vingador, mas dizê-Lo assim fazia com que o crente se sentisse mais protegido e mais disposto a seguir a Torá.


Muito tempo se passou! É de se esperar que com o tempo nosso entendimento e nosso coração se amadureçam e, tocados pelo Espírito, nos ajudem a captar com mais propriedade a vontade de Deus expressa na sua Palavra, interpretada – historicamente – pela palavra humana. Jesus, o divino humanado, traduz o agir de Deus como Abbá: compassivo, misericordioso, bondoso e amoroso. O Deus de Jesus “faz chover na casa dos bons e dos maus”, rompendo definitivamente o ciclo nefasto da Teologia da Retribuição. Mas, o que se vê hoje em nossas experiências religiosas com a Palavra desdobradas em nosso agir? Flor sem defesa! A Palavra tem secundado tanto a libertação quanto a opressão.


Força da fraqueza! A Palavra se encarnou e assumiu todas as vicissitudes decorrentes dessa aventura, sobretudo a incompreensão: “‘De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde então lhe vêm todas essas coisas?’ E se escandalizavam dele” ( Mt 13,54-57). Como Flor sem defesa, a Palavra de Deus, é o amor que bate às nossas portas e nos convida para o banquete da vida e não da morte. Mas, será sempre um convite à espera de nossa decisão e de nosso envolvimento.


Mirados no jeito de Jesus, no seu método interpretativo, busquemos nos livrar das leituras ideologizadas do texto sagrado. Deus não pode ser proposto como argumento de nossa maldade ou insensatez. A Flor sem defesa precisa de nossa colaboração para produzir força, não obstante nossa fragilidade.


Pe. José Augusto da Silva – Pároco Matriz São José (Machado) e Professor na FACAPA (Pouso Alegre)

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