Vive-se no tempo presente A tirania do prazer, título do livro de Jean-Claude GUILLEBAUD, publicado por Bertrand Brasil em 1998. Sob a égide de um Epicurismo às avessas, para se evitar a “dor”, tudo é permitido. Epicuro, filósofo ateniense do século IV aeC., propunha o caminho da felicidade no gozo intelectual decorrente da ausência de dor e da pujança do prazer. Recomendava a eliminação das fadigas, especialmente a gula e a tara sexual.
A chamada “revolução sexual” fracassou em seu intento principal. Desejosa de libertar os homens e mulheres enveredou-se na ditadura do prazer, levando-os a um verdadeiro “cativeiro”. Não é isso que contemplamos, com lamentos e indignação, no cenário atual? Os fast-food se multiplicam: as infovias oferecem um verdadeiro self-service de carnes.
A infidelidade matrimonial não é uma experiência exclusiva dos “pagãos”. Campeia os lares estruturados e, até certo ponto, comprometidos com a proposta cristã. O sacerdote zeloso, nutrido por edificante espiritualidade, não está livre de tropeços na esfera sexual. O jovem, recém crismado/a, cheio de sonhos e de projetos construtivos, desejoso/a de transformar o mundo de banalidades, também não escapa do hedonismo atual. Trata-se da vida privada. São experiências capazes de proporcionar um salto de qualidade, desde que os sujeitos envolvidos retomem sua opção fundamental.
Porém, quando as relações são marcadas pela permissividade, chega-se ao terreno movediço, enganoso e profundamente desumanizador da existência humana. Relações descartáveis, desprezo pelos projetos comuns, transformam homens e mulheres, inclusive crentes, em servos do deus Eros. A mitologia conta que Eros nasceu do encontro de Penúria e Poros. Penúria, faminta e insaciável; Poros, engenhoso e calculista. O discípulo de Eros calcula formas de saciar sua fome de prazer, não levando em conta consensos, projetos e inclusive leis que regem a harmonia das relações. Afinal, não será essa a situação que se visibiliza no aspecto público? Não será o distanciamento do verdadeiro sentido de felicidade que os levam a submeterem-se à tirania do prazer?
A felicidade não pode capitular-se aos desmandos de Eros, mas converter-se num eficaz meio de humanização.
Pe. José Augusto da Silva – Pároco Matriz São José (Machado)
Professor na FACAPA (Pouso Alegre) E-mail: josausilva@yahoo.com.br
Comentários
Obrigada, penso também, que a linha de pensamento é esta, mas é difícil viver, no que acredito.
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