Pensar o Xadrez como uma atividade para o desenvolvimento da criatividade e da imaginação, como a comunicação de emoção de uns a outros, como a contribuição única de seus mestres a um conceito sempre renovado de beleza que transforma e eleva o sentido da realidade do jogo, tanto de quem o produz como de quem o contempla e entende, é colocar o Xadrez na dimensão da arte.
Este é o nosso ponto de partida, que cria em nós a necessidade de adentrar, ainda que seja brevemente, na noção do papel da arte na vida das pessoas e sua utilização na educação, e aqui, especificamente, com o Xadrez como arte na educação. Embora a função da educação venha se modificando em decorrência do tempo, sempre ficou limitada ao intelectual e técnico, com dose de conformidade social e conservação da ordem dada. Nosso pensamento é de que a educação em nossa atualidade pode contribuir decisivamente para uma educação qualitativa da vida.
“Meu pai me ensinou os movimentos do jogo aos cinco anos. Comecei a jogar seriamente aos sete… Aos quatorze anos soube que o Xadrez dominaria toda minha vida.”
Estas são palavras de G. Kasparov, um dos maiores enxadristas de todos os tempos, mas, se bem que cabe a muitas outras pessoas que fizeram do Xadrez uma parte importante de suas vidas. A pergunta é: O que determina este feitiço na vida das pessoas? Além de questões diversas, acreditamos que o encanto do Xadrez tem a ver com seu componente artístico, o que uma vez ocorrido, vislumbrado ou entrevisto, estabelece um selo distintivo em sua relação com o jogo. O Xadrez se converte num receptáculo para a criação humana e a busca infinita de verdades. Nasce um sentido de missão que leva a buscas e afinidades. A arte, como atividade criadora de algo novo, encontra em sua prática e em seu estudo um campo propício para seu desenvolvimento, pois, em cada partida não só se reproduz o passado do jogo, senão que se combinam e reelaboram as experiências históricas para criar novas propostas.
Neste sentido, não é a criação privativa dos gênios, senão que todo aquele que imagina, combina ou cria algo novo, por insignificante que pareça ao lado das consagradas obras dos mestres, é um criador no sentido amplo da palavra. Portanto, na vida diária de todos os indivíduos que jogam ou estudam Xadrez existem as premissas básicas para a criação, podendo estes romper com os marcos da rotina e o estereótipo que muitas vezes impõem o mundo do trabalho e as condições sociais da existência. É assim que se pode postular que esta atividade criadora está disponível desde a primeira infância, e que seu fomento é um cometido da educação e uma guia para o ensino do Xadrez.
O incentivo desta atividade implica em ter em conta (se a imaginação se nutre do real e o fantástico está no modo em que se combinam os elementos tomados da realidade, como diz Vigotsky), a necessidade de ampliar a base de experiência dos aprendizes a fim de determinar um suporte sólido para sua conduta criativa. Quanto mais veja, assimile e experimente, mais rica e produtiva será a atividade de sua imaginação.
Elaborado por Allex Silveira
Fontes de pesquisa
Read, H.(1960), Filosofía del arte moderno, Buenos Aires, Peuser.
Eisner E. (1995), Educar la visión estética, Buenos Aires, Paidós.
Vigostky. L. (1987), Pensamiento y lenguaje
Kasparvy, G., Aprenda Xadrez com Garry Kasparvy
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