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Eucaristia: dom e tarefa!

9 set 2011 - 0 comentário

Participar da Ceia do Senhor é sempre um dom, uma dádiva e um presente. Dádiva que, fundamentalmente, é a delicada presença de Deus que nos alimenta com a renovada esperança e com amor sempre solícito. Quem já não se sentiu como o salmista: “a minh’alma tem sede de vós, como a terra ressequida esperando por chuva, Senhor” (cf. Sl 62)? Sentimo-nos ressequidos e carregamos esta fome não só de comida, mas de beleza, de justiça, de paz – numa palavra – de amor. A Ceia nos rega de incontáveis graças, sobretudo daquela que nos identifica como discípulos/as da fração do pão e, por isso mesmo, nos proporciona as condições profundas de saciar a nossa e a fome do mundo.

Participar da Ceia do Senhor também é uma tarefa que se nos impõe: “ai de quem comungar indignamente do corpo e sangue do Senhor” (cf. 1Cor 11,29) nos adverte o Apóstolo. O que significa comungar indignamente da Ceia do Senhor? Significa, em resumo, fechar os olhos à investida do Espírito Santo de Deus que se faz presente, especialmente, na pessoa do excluído. Em Corinto, lá pelos anos 50, muitas pessoas iam para a comunidade mais cedo, pois não trabalhavam, e se regalavam com as comidas reservadas para a Ceia Comum. Quando mais tarde chegavam os irmãos trabalhadores não havia mais comida! É neste sentido que Paulo adverte: é condenável comungar sem partilhar!

Vale o questionamento: será que nós, como os irmãos de Corinto, não nos encontramos meio ociosos e, justamente, por isso vamos nos abastecendo de uma série de “guloseimas espirituais” (excesso de religiosidade) e quando chega o momento da partilha, do culto na vida, não mais conseguimos nos sensibilizar com o irmão/ã que sofre? A Eucaristia como tarefa nos coloca na encruzilhada da missão: comungar do corpo do Senhor e não se sentir tocado a dar passos em socorro dos sofredores é comungar indignamente! Esta é a tarefa decorrente da Ceia: ser “comida e bebida” para os que têm fome e sede de beleza e de justiça.

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