Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu quem vos escolhi! (cf. Jo 15,16). Frase impactante e cheia de autoridade: a iniciativa é sempre divina de chamar quem, como e onde Ele quer.
Quem Deus chama? A rigor, Deus chama a todos os seres humanos para a vida, dom e vocação maior. Chama à existência histórica – ensaio da vida escatológica – lugar de contradições e ambiguidades, alegrias e tristezas, saudades e esperanças. Ninguém está excluído de ouvir a voz do Senhor que ressoa, em nossos corações, nas mais diversas situações da existência.
A vida é sagrada! Toda a existência humana é sacramental e, transpirando o sonho do Criador, move-se para uma concretude histórica: a construção da humanidade do homem (cf. Mt 5,48). Afinal, vivemos envoltos na crise do significado da humanidade. Carecemos de uma resignificação antropológica. Afinal, quem é o homem? Onde está sua humanidade?
O chamado de Deus na história é a oportunidade de que os seres humanos dispõem para atingir aquela altura sonhada pelo criador: seres encarnados e, ao mesmo tempo, abertos à transcendência.
Nenhum modelo histórico de felicidade, por mais completo que seja, será capaz de satisfazer a sede compulsiva de eterno que habita o mais profundo do ser humano. Ao mesmo tempo, não se pode desconsiderar o desejo de eternidade que só tem sentido se o ser humano estiver devidamente encarnado em sua historicidade.
Nesse sentido, o papel dos grupos sociais é de capital importância para a consolidação da humanidade do homem. A começar pela família, passando pelas livres associações, o ser humano é marcado – em profundidade – pela convivialidade. Na verdade, ele aprende a ser humano convivendo com parceiros/as semelhantes e, muito especialmente, com os diferentes de si.
Se na família ele se sente protegido e acarinhado afetivamente, nos outros grupos, precisará negociar seu reconhecimento, sua subjetividade, num consórcio geralmente tenso e processual. Carregando as marcas ambíguas desta empreitada, esculpirá, da melhor maneira possível, sua própria identidade.
Quanto mais encarnado em suas várias dimensões existenciais for o ser humano, mais autêntica e completa será sua narrativa histórica. Por isso, vocação – chamado de Deus no Tempo – é um convite a todos os homens e mulheres a tornarem-se sujeitos de sua autobiografia.
Pe. José Augusto da Silva – Pároco Matriz São José (Machado) e
Professor na FACAPA (Pouso Alegre) E-mail: josausilva@yahoo.com.br
Comentários
Pe. José Augusto, sou grata, e o povo também, porque, no cotidiano, pessoas como você, nos ajuda a ler e entender o óbvio, aqueles pontos, nos quais, mais esbarro.
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