Não significa, entretanto, uma pessoa moralmente perfeita, sem falhas, sem pecados. Os santos sempre se consideraram grandes pecadores. Ser espiritual significa ter-se encontrado pessoalmente com Deus; cultivar esse encontro e começar a ver os homens e as mulheres no mundo como Deus os vê. Ora, Deus vê a humanidade com um olhar de misericórdia infinita, de perdão e ternura; quer salvar a todos, quer que todos tenham vida e vida em abundância.
Em conseqüência, a pessoa espiritual, precisamente por ter-se encontrado com o Deus-Amor, é a menos alienada e a mais comprometida com os homens e com os valores do Reino. Não é, pois, de estranhar que as pessoas, quanto mais espirituais são, mais se comprometem de fato com os irmãos/ãs no mundo, sobretudo os mais pobres, os mais sofridos, os mais marginalizados na sociedade. Comprometem-se com a justiça, tornando-se verdadeiros profetas; desenvolvem uma criatividade eficaz na história, com obras que nos surpreendem.
A pessoa espiritual vai se tornando um teógrafo; descobre a relação circular que existe entre a Bíblia e sua vida: sua vida (e a vida de seu semelhante) é também um livro, uma escritura de Deus: “Vós sois uma carta de Cristo…, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo… em tábuas de carne que são os vossos corações” (2 Cor 3,3).
Pe. José Augusto da Silva
Pároco Matriz São José (Machado) e Professor FACAPA (Pouso Alegre)
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