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“Esperar pelo Senhor: eis a marca da fé cristã!” por Padre José Augusto

23 set 2011 - 1 comentário
A fé cristã, fundamentalmente marcada pela espera no Senhor, vive com as lâmpadas acesas para o encontro feliz com a razão de sua vida: Jesus de Nazaré. Aquele que foi suspenso no madeiro ressuscitou e enviou o Paráclito como perene companhia à sua comunidade. Disse que voltaria na conclusão dos tempos. Por isso, o cristão vive em constante expectativa para o encontro definitivo com o Senhor da História, com Aquele que dará devido acabamento à obra iniciada.


Enquanto o Senhor não chega, vivemos em meio às dores e às mazelas existenciais. Numa palavra: vivemos com a experiência do sofrimento.


Tema incômodo, o sofrimento nos coloca no limiar de nossa situação humana: históricos e eternos. Habitantes das estrelas, nosso ser não se conforma com a ditadura do previsível: busca transcendência. Porém, segundo o princípio da realidade, adoecemos, sofremos e, finalmente, morremos. Como conviver com a presença do sofrimento?


O sofrimento não é vontade de Deus, Pai de ternura e Senhor da Vida. O sofrimento, especialmente a enfermidade, constitui uma condição da existência humana. Perder a saúde, o vigor físico e psíquico é uma experiência intransferível para quem vive. Uns a experimentam precocemente, outros no meio da caminhada e outros no ocaso da existência. É inevitável, intransferível e inexorável. Não se pode pensar uma existência imune ao sofrimento, isenta de enfermidades. A consciência deste fato já nos causa sofrimento. Muitos, inclusive, preferem nem pensar sobre o tema. Daí a banalização e o mascaramento do sofrimento e da morte.


O sofrimento pode ser ocasião para o crescimento espiritual. A partir do momento em que baixamos guarda e aceitamos o inevitável, podemos tirar proveito do sofrimento. Como? Humanizando-nos. Assistimos com emoção as últimas horas de João Paulo II. O Sumo Pontífice foi um exemplo de quem soube fazer do sofrimento uma oportunidade para crescer espiritualmente. Corpo alquebrado, voz sôfrega, mas um espírito robusto capaz de tocar nos corações mais endurecidos.


Fazer da queda um passo de dança: eis o desafio de quem se encontra fragilizado pela doença. Como habitantes das estrelas não permitamos que a dureza do sofrimento nos embruteça, levando-nos às amarguras e aos ressentimentos inócuos. A ninguém se pode imputar a responsabilidade do sofrimento como condição da existência humana. Mas, de todos podemos acolher um pouco de criatividade e de sabedoria capazes de transformar o medo numa escada para patamares mais elevados. 


Pe. José Augusto da Silva – Pároco Matriz São José (Machado) e  Professor na FACAPA (Pouso Alegre)

E-mail: josausilva@yahoo.com.br

Comentários

  • Sara Cristina disse:

    Pe. José Augusto,
    Você é mesmo especial, obrigada, estas palavras, hoje, de modo especial estão alimentando meu interior, muita ternura de Deus para você.

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